A função de growth explodiu em popularidade nos últimos anos. Todo scale-up quer um Head of Growth, todo board quer uma growth squad, todo fundador quer o "growth mindset". O resultado: contratações apressadas, expectativas mal alinhadas, e profissionais de growth extremamente competentes produzindo resultados medíocres, não por falta de talento, mas por falta de estrutura.
Growth não é uma função que funciona sozinha: uma função que funciona quando conectada a dados de qualidade, a um produto que retém, e a uma liderança que entende que crescimento sustentável é construído em meses, não semanas.
O que é (e o que não é) um time de growth
Um time de growth não é o time de marketing renomeado. Não é o time que vai "fazer growth hacking" e triplicar a receita em 90 dias. E não é uma solução para problemas estruturais de produto ou de modelo de negócio.
Um time de growth é uma função multidisciplinar (parte marketing, parte produto, parte dados) responsável por identificar e escalar os mecanismos de crescimento mais eficientes para o estágio atual do negócio. Isso exige:
- Acesso a dados de qualidade (sem isso, o time trabalha no escuro)
- Capacidade de executar experimentos e medir resultados de forma confiável
- Alinhamento com produto sobre o que pode ser mudado para crescer
- North star metric clara e compartilhada por toda a organização
Diagnóstico rápido: Se a empresa não tem tracking estruturado de comportamento de usuário, se o time de produto não tem dados de retenção por feature, e se não há clareza sobre qual é a métrica norte, contratar um Head of Growth vai frustrar todos os envolvidos. Resolva o contexto antes de resolver o headcount.
Os papéis do time de growth
Head of Growth / VP of Growth
O líder da função. Responsável por definir a estratégia de crescimento, priorizar iniciativas por impacto, gerenciar o ciclo de experimentos e comunicar resultados para a liderança. Precisa ter profundidade em pelo menos uma disciplina (mídia, produto, dados) e visão ampla sobre as demais.
Não é um gestor tradicional de marketing. O melhor Head of Growth usa dados tanto quanto usa criatividade e está tão confortável analisando uma cohort quanto definindo uma mensagem de campanha.
Growth Analyst / Data Analyst
O motor de inteligência do time. Responsável por analisar dados, identificar oportunidades, medir resultados de experimentos e manter os dashboards de métricas atualizados. Em times pequenos, esse papel é frequentemente acumulado pelo Head of Growth e frequentemente isso cria um gargalo.
Growth Engineer / Full-Stack Developer
O executor técnico. Implementa tracking, constrói landing pages, cria ferramentas internas de automação, suporta experimentos que exigem mudança no produto. Um Growth Engineer competente multiplica a velocidade de execução do time inteiro.
Especialista de canal
Dependendo do modelo de negócio: especialista em SEO, em mídia paga, em email/CRM, em parcerias. Executa as táticas dos canais mais relevantes para o ICP da empresa.
A North Star Metric: o alinhamento que torna o growth possível
Toda empresa de crescimento eficaz tem uma North Star Metric (NSM), um número único que representa o valor que a empresa entrega aos clientes e que, quando cresce, implica que o negócio está saudável.
- Slack: mensagens enviadas por usuários ativos
- Airbnb: noites reservadas
- Spotify: tempo de escuta por usuário
- HubSpot: número de empresas conectadas à plataforma
A NSM precisa ser: orientada ao valor do cliente (não uma métrica de vaidade), influenciável pelo time (algo que ações concretas podem mover), e preditiva do resultado de negócio (quando sobe, o negócio melhora).
Com a NSM definida, o time de growth tem clareza sobre o que priorizar e a liderança tem uma linguagem comum para avaliar o progresso do crescimento.
O processo de growth: experimentação sistemática
Growth não é criatividade descontrolada: criatividade dentro de um processo rigoroso de experimentação. O ciclo padrão:
- Análise: onde estão os maiores gaps entre o potencial e o resultado atual?
- Hipótese: qual mudança específica poderia fechar esse gap?
- Priorização: qual hipótese tem maior potencial de impacto com menor esforço de execução?
- Experimento: como testar a hipótese com o menor investimento possível?
- Análise de resultados: o que aprendemos? O que escala?
Times de growth maduros rodam 4 a 8 experimentos por mês. A maioria vai falhar e isso é esperado. O valor está nos aprendizados acumulados e no ocasional experimento que funciona e pode ser escalado.
Quando contratar vs. quando terceirizar
Nem toda empresa precisa de um time de growth próprio imediatamente. Algumas considerações:
- Contratar internamente: quando o volume de iniciativas justifica dedicação exclusiva, quando há dados de qualidade disponíveis, e quando a empresa tem maturidade para absorver uma função experimental com ciclos mais longos
- Parceria com consultoria: quando a empresa precisa de velocidade inicial, quando quer testar o que funciona antes de montar time interno, ou quando o modelo de negócio é suficientemente específico para exigir especialização externa
A terceirização estratégica, trazer especialistas para construir a base enquanto o time interno se desenvolve: frequentemente a escolha mais eficiente para empresas em estágio de crescimento. O objetivo não é ter uma consultoria para sempre, mas ter ela pelo tempo necessário para que o time interno esteja equipado para voar sozinho.